Câmara instala CPIs para apurar denúncias de irregularidades na Prefeitura do Rio; apoiador de Crivella irá presidir comissões
A Câmara dos Vereadores do Rio instalou nesta quarta-feira (30) duas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para investigar possíveis irregularidades na gestão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).
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Ambas comissões serão presididas pelo líder do governo dentro do Legislativo, vereador Jorge Manaia (Progressistas).
Líder do maior bloco da Câmara, Manaia teve a candidatura apoiada pelo missionário RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. RR Soares é casado com a tia de Marcelo Crivella. Ele afirma que as denúncias serão apuradas com profundidade. "A pretensão é apurar as denúncias que foram feitas. Levar a apuração a cabo, a fundo, trazer à tona. São verdadeiras [as denúncias] ou não são verdadeiras? Há provas não há provas? Fazer a apuração de maneira correta isenta, transparente dando ampla publicidade a isso", diz o vereador.
"Já solicitamos apoio do Tribunal de Contas do Municipio, dessa casa de leis, da controladoria para que forneçam funcionarios para que possam agilizar na análise da documentação que vai ser encaminhada a essa CPI para que nós posamos fazer as oitivas e tentar chegar a uma conclusão e uma votação antes do prazo ou no máximo até o termino do prazo de 120 dias ", acrescenta.
Relatorias
A relatoria das CPIs QG da Propina e Guardiões do Crivella também ficaram com parlamentares do bloco de apoio ao prefeito: João Mendes de Jesus (Republicanos) e Inaldo Silva (Republicanos), consequentemente. Ambos são do mesmo partido de Marcelo Crivella.
Irão compor a CPI QG da Propina, que apura um suposto esquema de corrupção na prefeitura, os vereadores Dr. Jairinho (Solidariedade), Átila A. Nunes (DEM) e Prof. Célio Lupparelli (DEM). Como suplente, aparece o vereador Tarcísio Motta (PSOL).
A comissão Guardiões do Crivella, instalada na parte da tarde desta quarta-feira (30), irá investigar a existência do grupo, de mesmo nome da CPI, composto por servidores públicos do município do Rio. Além do presidente e relator, fazem parte da comissão os vereadores Teresa Bergher (Cidadania), Felipe Michel (Progressistas) e Átila Nunes (DEM). Como primeiro suplente, está o vereador Paulo Pinheiro (PSOL).
Manobra política e tradição quebrada
A vereadora Teresa Bergher (Cidadania), que sugeriu a criação da CPI Guardiões do Crivella, afirmou que houve manobra política na eleição do presidente das CPIs. Segundo ela, há a tradição do parlamentar que propôs a comissão seja o presidente. O costume, no entanto, foi ignorado na denúncia contra Crivella.
“Diante do resultado que nós tivemos hoje na instalação, é uma vergonha. O líder do governo está acumulando a presidência de duas CPIs com denúncias graves e sérias. É um absurdo (...) Esta Casa tem por tradição que quem propões a CPI deve presidir os trabalhos. Foi me negado esse direito”, disse Teresa.
A parlamentar disse ainda que irá elaborar um relatório extra, paralelo ao da CPI. O documento também será encaminhado ao Ministério Público do Rio.
“Não tem problema. Vou trabalhar e, já avisei inclusive, vou fazer um voto separado, meu relatório e encaminhar ao MPRJ. O que aconteceu hoje foi um absurdo”, afirmou Teresa.
‘QG da Propina’
A CPI do QG da Propina, sobre um suposto esquema de corrupção na prefeitura, a partir da Riotur.
A comissão vai analisar as denúncias da operação do Ministério Público do RJ e da Polícia Civil que, no último dia 10, cumpriu 22 mandados de apreensão – um deles contra Crivella, que teve o celular apreendido.
As investigações, iniciadas no ano passado, partiram da colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela Operação Câmbio, Desligo.
No depoimento, Mizrahy chama um escritório da prefeitura de “QG da Propina”.
Segundo a delação, o operador do esquema era Rafael Alves. Rafael não possui cargo na prefeitura, mas tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016.
Depois da eleição, Rafael emplacou o irmão, Marcelo, na Riotur e, segundo o doleiro, montou um “QG da Propina”.
Mizrahy afirma que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.
Marcelo Alves foi exonerado da Riotur em 25 de março.
Na ocasião, Crivella disse que considerou a ação “injustificada, já que sequer existe denúncia formal e eu não sou réu nesta ou em qualquer outra ação”.
'Guardiões do Crivella'
Funcionários da Prefeitura do Rio, pagos com dinheiro público, faziam plantão na porta de hospitais municipais para atrapalhar reportagens e impedir denúncias de problemas na Saúde. O esquema era combinado em grupos de aplicativo de mensagens. Um deles foi denominado “Guardiões do Crivella”.
A cúpula do governo municipal fazia parte de um dos grupos. O telefone do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, constava na relação.
O prefeito assumiu que estava no grupo, mas que nunca participou. Uma testemunha disse que Crivella enviava mensagens parabenizando as ações.
A Prefeitura do Rio mandou uma nota conjunta em que afirma que “funcionários ficam nas portas dos hospitais para esclarecer a população”.
Fonte: G1
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